Seth Godin argumenta que a Internet acabou com o marketing de massa e ressucitou uma unidade social do passado distante: a tribo. Fundada sob idéias e valores partilhados, as tribos dão poderes às pessoas comuns para liderar e provocar grandes mudanças. Ele nos encoraja a fazer o mesmo.

Anthony Giddens, sociólogo britânico, dedicou sua vida ao pensar da sociedade em que vivemos. Um dos conceitos centrais de sua obra é a idéia da dialética do controle, tema deste texto. Por dialética aqui entende-se método do diálogo, o ir e vir de pontos e contrapontos que criam novas vias de pensar e compreender o mundo. A dialética trata do movimento constante entre diferentes perspectivas, por vezes antagônicas, sem nunca chegar há um local definitivo. É uma lente para enxergar o mundo, entre tantas outras que existem, uma lente que dá conta das transformações constantes e dinâmicas de nossa vida, dos esforços que existem nos embates de pontos de vista, da metamorfose ambulante de opiniões.
Voltando-nos a Giddens, para ele, a dialética do controle é a idéia segundo a qual “todas as formas de dependência oferecem recursos por meio dos quais aqueles que são subordinados podem influenciar as atividades de suas superiores”. Em outras palavras, todo movimento gera conseqüências não premeditadas, pura dialética. Quanto mais eu evoluo tentando dominar, mais ferramentas eu crio para os que são dominados resistir.
Interessante que ontem enquanto assistia o excelente “vídeo manifesto” chamado “SURPLUS: Terrorized Into Being Consumers” (veja abaixo) pensei nele como mais um exemplo do que essa dialética do controle efetivamente significa. Os mesmos meios (midiáticos) utilizados para propagar mensagens de conformismo podem disseminar a transformação. A propaganda serve para as minorias (se organizarem em torno de uma “idéia comunidade”), assim como serve para vender mais fast food em um mundo super saturado de informações e taxa de colesterol. Surplus faz uma crítica aberta e exposta à sociedade de consumo, defendendo a tese de que nos “venderam” uma idéia de liberdade que na verdade é uma prisão. O papo não é novo, mas a linguagem visual é extraordinária. A montagem e edição do filme, cheio de imagens de arquivos sincronizadas com a música, utilizando loopings de trechos de textos para marcar um ritmo quase hipnótico, está à altura de qualquer produção cinematográfica de alta qualidade. O ponto é que, quando a indústria evolui, quando os meios se sofisticam e se popularizam a partir da necessidade de baixar os preços dos produtos para atingir mais pessoas, o potencial comunicativo e informacional se descentraliza. Câmeras full hd com custo acessível, softwares de edição de imagem descomplicados, criatividade, conteúdo e internet como meio de divulgação podem causar um estrago proporcionalmente tão eficiente na busca por seus objetivos quanto mais uma produção mela cueca hollywoodiana atrás das cifras.
Na periferia, nas margens, a resistência cultural opera com a geração anterior da tecnologia lançada do centro. Com o tempo da inovação cada vez mais acelerado, as possibilidades são imensas… e vão crescer! Tudo depende de seu propósito…
Assista abaixo o vídeo SURPLUS legendado em português.
(re) nascer
Sob a luz incandescente uma figura imóvel está sentada na cadeira olhando a memória, assistindo o filme que conta a história de sua vida, composta por suor, sorrisos e respeito. Sempre fora ótimo em inventar narrativas, criar fantasias, refazer o mundo à sua maneira. Era praticante convicto da arte do sonho, vulgo sonhador, e com a mente voava distâncias. Estava procurando uma fuga da realidade, da real cidade, do complexo, da complexidade. Observava o mundo girando conectado aos satélites, aquilo sim era loucura. Afinal porque trabalham tanto? Porque jogam suas vidas na rotina? Porque se deixam dominar tão facilmente, seduzidos pelo brilho da prata, vendendo a alma ao diabo por esmolas… Ao olhar para a imensidão do universo, como pode o ser humano achar que está sozinho? Somente tamanho egoísmo poderia explicar a origem da ganância (essa petulância de achar que riqueza é acumulo de capital). De que adianta ter tanto dinheiro se no fim dos dias vamos todos ao mesmo lugar, ficaremos todos iguais uma vez mais, reduzidos ao pó. Ele ria, se um dia fosse vender sua alma não seria por dinheiro, nem por poder, isso era secundário, um jogo mundano que não fazia sentido, já que para ele a verdadeira fortuna é a sabedoria capaz de te libertar (e ser livre é sua única chance de ser feliz..).
No reflexo do espelho via a si mesmo, seria ele visto da mesma maneira pelos outros? Ao silenciar a mente parado por alguns instantes sentia vontade de transformar, deformar, recriar…. refazendo aquilo que é inédito, para mais uma vez renascer…..
por Paulo Abdala (escrito em algum dia perdido de 2008)
Slides sobre novos métodos e inovações na pesquisa de mercado produzidos para o MBA de maketing da Unisinos.
Tendências em pesquisa de mercado por paulo abdala
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A dica de hoje é fantástico livro “A Ilha” de Aldous Huxley. A primeira reação é achar que é o livro sobre o filme homônimo, não é, pelo menos não exatamente. Alguns traços são similares, é uma civilização isolada buscando viver da melhor forma possível, mas as semelhanças param por aí.
O livro inicia com um repórter chegando em um acidente a uma ilha “perdida”. O desenrolar da estória é ele conhecendo o local, seu povo, sua cultura e seus costumes. A ilha é um sonho de civilização, um médico inglês e um raja indiano juntaram-se no ideal de criar um local que sintetizasse harmoniosamente o melhor do ocidente o e melhor do oriente.
O resultado é um livro que prende atenção, inteligente e cheio de pequenas sacadas que nos fazem pensar sobre nossas vidas. Uma delas, para dar uma palinha, é que alguns pássaros na ilha foram treinados para falar “aqui e agora” a todo instante, lembrando as pessoas sobre a necessidade de viver no presente. As crianças também tem o direito de fugir de casa, oficialmente, indo passar uns dias com outros casais que elas escolhem, não podendo ser reprimidas por isso. Entre muitas outras pérolas….
Esse é daqueles que tu pega e não quer mais largar até o fim….

Abaixo reproduzo um trecho de um livro do Jung chamado “Arquétipos e inconsciente coletivo”. Neste texto ele fala de uma maneira lírica, profunda e bela sobre a busca do auto conhecimento, o encontro com a própria sombra e a necessidade de explorar outras realidades para vencer certos obstáculos.
“Verdadeiramente, aquele que olha o espelho da água vê em primeiro lugar sua própria imagem. Quem caminha em direção a si mesmo corre o risco do encontro consigo mesmo. O espelho não lisonjeia, mostrando fiel mente o que quer que nele se olhe; ouseja, aquela face que nunca mostra mos ao mundo, porque a encobrimos com Ά persona, a máscara do ator. Mas o espelho está por detrás da máscara e mostra a face verdadeira.
Esta é a primeira prova de coragem no caminho interior, uma prova que basta para afugentar a maioria, pois o encontro consigo mesmo per tence às coisas desagradáveis que evitamos, enquanto pudermos projetar o negativo à nossa volta. Se formos capazes de ver nossa própria sombra, e suportá-la, sabendo que existe, só teríamos resolvido uma pequena par te do problema. Teríamos, pelo menos, trazido à tona o inconsciente pes soal. A sombra, porém, é uma parte viva da personalidade e por isso quer comparecer de alguma forma. Não é possível anulá-la argumentando, ou torná-la inofensiva através da racionalização. Este problema é extrema mente difícil, pois não desafia apenas o homem total, mas também o ad verte acerca do seu desamparo e impotência. As naturezas fortes - ou de veríamos chamá-la fracas? - tal alusão não é agradável. Preferem in ventar o mundo heróico, além do bem e do mal, e cortam o nó górdio em vez de desatá-lo. No entanto, mais cedo ou mais tarde, as contas terão que ser acertadas. Temos porém que reconhecer: há problemas simplesmente insolúveis por nossos próprios meios. Admiti-lo tem a vantagem de tor nar-nos verdadeiramente honestos e autênticos. Assim se coloca a base para uma reação compensatória do inconsciente coletivo; em outras pala vras, tendemos a dar ouvidos a uma idéia auxiliadora, ou a perceber pensa mentos cuja manifestação não permitíamos antes. Talvez prestemos aten ção a sonhos que ocorrem em tais momentos, ou pensemos acerca de acon tecimentos ocorridos no mesmo período. Se tivermos tal atitude, forças auxiliadoras adormecidas na nossa natureza mais profunda poderão des pertar e vir em nosso auxílio, pois o desamparo e a fraqueza são vivência eterna e eterna questão da humanidade. Há também uma eterna resposta a tal questão, senão o homem teria sucumbido há muito tempo. Depois de fazermos todo o possível resta somente o recurso de fazer aquilo que se fa ria se soubéssemos o quê. Mas em que medida o homem se conhece a si mesmo? Bem pouco, como a experiência revela. Assim sendo, resta mui to espaço para o inconsciente. Como se sabe, a oração exige uma atitude semelhante. Por isso tem um efeito correspondente.
A reação necessária e da qual o inconsciente coletivo precisa se ex pressa através de representações formadas arquetipicamente. O encontro consigo mesmo significa, antes de mais nada, o encontro com a própria sombra. A sombra é. no entanto, um desfiladeiro. um portal estreito cuja dolorosa exigüidade não poupa quem quer que desça ao poço profundo. Mas para sabermos quem somos, temos de conhecer-nos a nós mesmos, porque o que se segue à morte é de uma amplitude ilimitada, cheia de in certezas inauditas, aparentemente sem dentro nem fora, sem em cima, nem embaixo, sem um aqui ou um lá, sem meu nem teu, sem bem, nem mal. É o mundo da água, onde todo vivente flutua em suspenso, onde co meça o reino do “simpático” da alma de todo ser vivo, onde sou inseparavelmente isto e aquilo, onde vivencio o outro em mim, e o outro que não sou, me vivência
Slides sobre NETNOGRAFIA, método de pesquisa que adaptou para comunidades virtuais os preceitos da etnografia, produzidos para o MBA de Marketing Estratégico da Unisinos. Para saber mais sobre etnografia ver post anterior.
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Case de Pesquisa da Danone Water utilizando multimétodos, diversos métodos de pesquisa para responder a mesma pergunta. Muito interessante em planejamento, execução e formato. Tem netnografia no meio…
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Assunto essencial que muitos evitam: a crise do sistema capitalista. A coisa toda foi engendrada com tanta perícia que diversas pessoas inteligentes acreditam cegamente que o capitalismo e a competição são características naturais dos seres humanos, esquecendo e ignorando que vivemos em uma estrutura social e econômica que foi engenhosamente criada ao longo de centenas de anos.
Mesmo sem uma solução de escala global para frear os efeitos perversos do desenvolvimento, é possível criar micro espaços de mudança de paradigma, começando por nossas próprias vidas.
Detalhe: reparem no tempo do vídeo - 11:11
Despachado para a Índia é um filme divertido e bem feito que aborda um tema contemporâneo, a terceirização de serviços de callcenter para países distantes. Todd é um legítimo americano, a “corporate man”, que se vê transferido para a Índia com a missão de tornar um callcenter que faz pedidos de porcarias (produtos) vendidos via catálogo nos EUA em um local eficiente e batedor de metas. Neste processo ele enfrenta diversas resistências e diferenças culturais retratadas com bom humor.
O filme não pretende ser profundo e tem toques de romance no ar, porém me chamou bastante atenção pelo contexto corporativo. Para quem ensina e trabalha com cultura organizacional pode ser um bom ponto de partida para discutir choques e diferenças de cultura nacional, e necessidade de adaptação. Eu, como professor de administração, estou sempre atrás de filmes para serem usados em sala de aula. Este é um que guardarei em minha lista.
De qualquer forma, para quem é simplesmente curioso e quer ver um filme que diverte sem a necessidade de pensar muito, vale a dica.
Trailer:
Yann Tiersen é um daqueles compositores que faz a melodia de suas músicas falar. Ouvir uma de suas obras deixa algo diferente no ar, ressoa na alma. O cara é um Francês multinstrumentista, que toca sanfona, píano e violino com a mesma intensidade e competência.
Conheci sua música pelas trilhas sonoras dos ótimos filmes “O Fabuloso Destino de Amélin Poulain” e “Adeus Lenin”.
Essa que postei é um dos clássicos de Amélie Poulain, “La Valse d´Amélie”
website do cara: http://www.yanntiersen.fr/
para ver ele em ação: http://www.youtube.com/watch?v=o8lPEgqE16o